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Sala com poltrona branca, luminária de arco, sofá verde, parede de textura rústica aparente e fotografias em preto e branco
Jornal · Arquitetura

Arquitetura que guarda memória

Restaurar uma casa antiga é escutar o que ela já sabe. As três casas da Casa Tempo foram recuperadas com técnicas tradicionais e mão de obra de Goiás, sem apagar as camadas do tempo.

A casa da R. 3 de Maio

A Casa Tempo, na R. 3 de Maio, 23, é um casarão do início do século XIX, do período colonial, com a fachada refeita em art déco nos anos 1950. Tem paredes de adobe e pau-a-pique e portais de aroeira.

O restauro aconteceu entre 2022 e 2024, com mestres e artesãos da cidade e segundo as normas de tombamento do IPHAN. Foi um aprendizado de cada dia: lidar com a umidade do solo, com a cal, com o barro e com as cores tradicionais. O livro Casa Tempo, publicado em 2025, documenta esse processo.

Portas de madeira de época abertas entre paredes caiadas, com vaso de cerâmica no chão
Portas antigas e paredes caiadas na Casa Tempo.

Tecnologia que não aparece

O antigo convive com soluções de hoje. Na Casa Tempo, 100% da energia vem de painéis fotovoltaicos, a água é aquecida por coletores solares e o jardim é irrigado com água de poço. As outras casas também contam com energia solar.

A Casa Tempo Glória

Na Rua do Moreira, a Glória é uma casa térrea colonial do tipo “porta-janela”, com 4 metros de frente e 16 de fundo. Foi restaurada e ampliada por um volume contemporâneo em aço, vidro e cobogó: de um lado, alvenaria de pedra à vista, forro de madeira e pé-direito alto; do outro, a arquitetura nova. Por fora parece pequena; por dentro é bem ampla. O nome é uma homenagem à avó da Juliana.

Cozinha da Casa Tempo Glória com estrutura de aço verde, parede de tijolos e prateleiras de madeira
O volume contemporâneo da Casa Tempo Glória.

A Casa Tempo Coreto

Na Rua do Horto, a 3 minutos da Praça do Coreto, uma casa colonial com fachada art déco foi transformada em apartamentos independentes. O pé-direito alto, o forro de madeira, a manta térmica e a ventilação cruzada ajudam a casa a se manter fresca.

Quem está por trás

A Casa Tempo foi criada por Juliana Freire e Christophe Van Hamme. Juliana, artista plástica e curadora, assina a direção artística, a curadoria e a decoração das casas, onde obras de arte, design e artesanato local convivem com a arquitetura restaurada.

Acupuntura urbana

Christophe Van Hamme, cofundador e gestor da Casa Tempo, resume a ideia como “acupuntura urbana”: renovar a cidade por toques pontuais, casa por casa. Cada restauro devolve uma casa à vida do centro histórico e ajuda a manter o patrimônio vivo.

Arquitetura e projetos complementares da Casa Tempo e projeto da casa do Coreto: Lucas Clementino.

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